NADA FICARÁ OCULTO EM NOSSAS VIDAS

borboleta

“Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz.”Lucas 8:17

 

Jesus o cuidador de almas por excelência, teve o ensejo de nos lembrar: “Sois Deuses”. Que reflexão mais educativa dirigida à consciência de cada um de nós pode alguém fazer? Eis algumas interpretações para a fala do Mestre : Sentimos-nos capazes? Queremos a vitória? Estamos usando nossos potenciais divinos? Acreditamos na força pessoal de transformação? Quando nos apropriamos do patrimônio celeste da nossa intimidade?

 

Relembrando-nos sobre nossa divindade em potencial, Ele traz outro de Seus belíssimos ensinos sobre o inconsciente: “Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto.

 

É da Lei Divina o processo revelador da nossa individualidade. Queiramos ou não, a vida submersa no inconsciente é um constante clamor em direção à luz da perfeição. Nada pode, pois, permanecer eternamente encoberto, como pontua Jesus.

 

Depois de passar alguns anos em hipnose cerebral, retomamos em plena infância o patrimônio das vidas anteriores.

Na juventude fazemos os primeiros contatos com a sombra estruturada em vidas sucessivas. É o período das turbulências e instabilidades. Muitas vezes, à custa de elevada dose de recalques diante de frustrações e desapontamentos, construímos a fortaleza defensiva do ego.

Assim, o Espírito, com raríssimas variações, entrega-se aos deveres da reencarnação, trazendo a alma oprimida por velhas bagagens morais de sua trajetória. E, somente na metade da vida carnal, a criatura retoma de forma mais incisiva e amadurecida o contato com todas as suas pendências eternas.

A meia-idade, estudada com atenção por Jung (MEIA-IDADE “Inteiramente despreparados, embarcamos na segunda metade da vida (…) damos o primeiro passo na tarde da vida; pior ainda, damos esse passo com a falsa suposição de que nossas verdades e ideias vão servir-nos como antes. Mas não podemos viver a tarde da vida de acordo com o programa de sua manhã – pois o que foi grande pela manhã vai ser pouco à tarde, e aquilo que pela manhã era verdade, à tarde se tornará mentira.”
Carl Jung, The stages of life – CW 8, par 339.)

constitui mais um ciclo revelador da vida mental. Para muitos, será a última estação de parada antes da morte, a fim de que os conteúdos do inconsciente possam sacudir as mais enraizadas crenças e concepções da existência.

Sem dúvida, tal etapa da vida vem acompanhada de severas ameaças à nossa zona de conforto e segurança. Tomar contato com os conteúdos velados da vida íntima é um desafio doloroso de desilusão. É o momento da ousadia que pede paciência para não tombar na irresponsabilidade. É o instante da coragem que vai solicitar o desapego da vida ideal – aquela do jeito que queríamos – para assumir a vida real.

Como atravessar a ponte das concepções e projetos pessoais? Como fazer essa caminhada tornar-se um passo decisivo para a verdadeira felicidade? Como reconstruir nossas crenças? Que ações adotar para que o nosso querer não seja apenas mais uma ilusão? Que decisões tomar para que as escolhas não sejam apenas uma rota de fuga? Aliás, como distinguir o que é fuga, quando brota do inconsciente o convite para o contato com todo o conjunto de expressões afetivas? A infelicidade, a depressão, o vazio existencial e tantas outras manifestações de tédio interior não serão, igualmente, mensagens da vida íntima atestando fugas de nossas necessidades mais esquecidas no aprimoramento espiritual?

Companheiros queridos, já iluminados com o conhecimento espiritual, assumiram para sí mesmos o sublime compromisso de erguimento consciencial. Todavia, dois rastros de descuido têm permeado as lições de muitos aprendizes nesta tema. O primeiro deles é a aceitação da dor como único instrumento de redenção. Neste, temos a crença derrotista, é um ato de desamor. Na verdade, a ausência de autoamor. O segundo é a nociva negação do dinamismo de nossa vida interior. Há nele o medo do confronto, uma manifestação sutil da rebeldia em não aceitar quem somos. É um efeito do orgulho.

É necessário um elevado discernimento para distinguir o ato responsável da fuga orgulhosa.

O foco do prazer de viver é este – a perda de quem achávamos que éramos; o falso eu, e o encontro com o eu real. A busca da autenticidade. A identidade psicológica do Ser.

Cuidemos, com vigilância, para que o Espiritismo, essa ferramenta e evolução, não se torne mais um instrumento de tortura em nossa vida. Em nossas casas de amparo na erraticidade, muitos corações sinceros e exemplares no desprendimento e na ação do bem encontraram pela frente a aflição e a angústia, tombando em lamentáveis crise de descrença e revolta. A razão? Descuidaram de si próprios. Negaram o contato com sua realidade interior. Deixaram de pedir ajuda. Acreditaram em uma personalidade mentalmente projetada e perderam o contato com suas emoções mais profundas. Alguns deles se renderam confiantes a conceitos e estruturas organizacionais reconhecidas e consagradas na comunidade, e somente aqui puderam aferir a extensão da ilusão que cultivaram.

Hipnotizaram-se com cargos, mediunidades, talentos verbais, ações beneficentes e outras tantas iniciativas abençoadas e esqueceram-se do mais importante – a humanidade da qual somos portadores. Negaram a condição de criaturas simplesmente humanas.

No fundo de suas mais espinhosas decepções, estava um sentimento nuclear em assuntos de aprimoramento espiritual, o medo. O medo do confronto com os próprios sentimentos.

O Espiritismo é um convite à vida consciente e responsável. Conhecer a sombra não significa adotá-la. Entretanto, a título de responsabilidade, muitos amigos da caminhada de espiritualização equivocam-se em relação ao ensino oportuno de Jesus – que recomenda negarmos a nós mesmos, tomarmos a nossa cruz e seguí-lo – a adotam a fuga silenciosa, postergando para o desencarne a incursão no seu mundo interior.

Cuidemos melhor de nossas vidas. Na trilha solitária do autodescobrimento, somos chamados a ações como “olhar para nossos pendores e tendências”, “entrar em contato co o que sentimos”e “admitir o que queremos da vida”. Após essas inciativas, devemos perguntar a nós mesmos: “O que fazer com todo patrimônio que identifica meu ser espiritual?”. Adotemos, pois, um projeto de vida que contenha os seguintes ingredientes morais: paciência, humildade para pedir ajuda, oração para visualizar o futuro e coragem para fazer escolhas.

A tormenta na vida espiritual depois da morte não tem raízes apenas nas ações que são registradas nos sagrados fóruns da consciência, mas, igualmente, na sensação infeliz de vazio em razão de não termos feito o que já tínhamos condição de fazer, de descobrirmos  que já estamos prontos para descobrir e de sondar o lado oculto de nós mesmos que , inevitavelmente, há de ser revelado algum dia.

Coragem! O Pai não  permitirá que carreguemos fardos mais pesados do que podemos suportar.

A esperança de meu coração repousa na intenção de sr útil e consolidar ainda mais a amizade sincera com os amigos e leitores na vida física.

Que as anotações contidas neste livro sejam com pequenos lampejos de luz que auxiliem no erguimento de um mundo melhor e de dias mais venturosos e ricos de prazer de viver.

Pelo carinho que tenho recebido de todos, recebam a minha bênção de gratidão e amor eterno.

Ermance Dufaux – Belo Horizonte, agosto de 2008

prefácio extraído do livro Prazer de viver

 

 

 

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