MEIA-IDADE A TRAVESSIA AO ENCONTRO DA ESPERANÇA

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Pesquisas realizadas por instituições do plano espiritual asseguram que, aproximadamente, oitenta e cinco por centro dos reencarnantes levam a metade do tempo de suas reencarnações para começarem a se identificar com seu planejamento reencarnatório, isto é, com suas reais e mais profundas necessidades de aprimoramento espiritual.

Não é sem razão que na meia-idade, período considerado por alguns especialistas como a faixa etária dos 35 aos 55 anos, homens e mulheres atravessam crises de intensa reavaliação da existência. Psicologicamente, é a fase em que o inconsciente lança ao consciente todas as experiências dolorosas não curadas na infância e na juventude. Um fenômeno natural do amadurecimento do ser. Crenças e valores são sacudidos drasticamente sob o vendaval das transformações inadiáveis, para que possamos desenvolver a mais cobiçada das conquistas humanas: o prazer de viver.

Fatores de ordem espiritual regulam a natureza desse autoencontro. Independentemente de qualquer variável, esse ciclo da existência é marcado por uma crise sem precedentes. Para quem se encontra adormecido nas zonas de conforto, ela vem de fora, por meio de dolorosos solavancos da vida que chegam em forma de perdas, doenças e provas diversas. Para os que ja vêm examinando seu mundo pessoal, ela chega como angústia e depressão, provocando escolhas e exames mais cuidadosos de si mesmo. Será nessa aparente desordem que será criada a trilha particular de cada qual. O prazer de viver poderá surgir neste contexto como a mais ansiada das conquistas do Ser em crescimento, desde que se tenha persistência em buscar algumas respostas a perguntas fundamentais.

Quem somos nós? O que queremos da vida? Qual a nossa principal missão diante da reencarnação? O que fazer para descobrir o caminho que nos levará ao encontro do nosso mapa pessoal de crescimento e libertação? Para que realizarmos as coisas que fazemos? Para que vivemos?Como deixar de ser quem pensamos que somos? Como dar sentido à nossa existência para preencher o vazio que, muitas vezes, consome a criatura humana nas mais sofridas provas da descrença e do desconsolo? Quais as trilhas criadas pelo Pai para cada um de nós? Como conquistar o prazer de viver diante dos severos regimes impostos pela expiação?

Depois que o homem e a mulher percorrem o trajeto básico das vitórias na família, na profissão, na educação de filhos ou nas realizações sociais, vem esse momento da meia-idade e nos devolve a nós mesmos. A ocupação principal é a busca da vitória interior.

Entretanto, neste importante momento de avaliações, ocorrem as mais lamentáveis fugas e os mais tristes quadros de desistência. Em outras palavras, é no exato momento em que tudo conspira para um renascimento que muitos desistem de encarar. Na hora de recomeçar a existência, ela acaba para a maioria. Ela é aposentada no momento em que está apenas começando.

Esmagadora porcentagem daqueles que reencarnam gastam dois terço da vida se consumindo em atitudes e escolhas que tornarão miserável o último terço. Retornam ao corpo e dele saem com a aterrorizante sensação de vazio. Vivem para sobreviver e sobrevivem sem se realizar. Esse é o conceito de expiação: almas presas em si mesmas, sem capacidade para exercer suas vocações, sem saber quem são, sem poder ou sem querer fazer o que gostariam ou mesmo o que deveriam em favor de sua própria paz.

Fomos criados para sermos felizes e superarmos as nossas provas. A reencarnação significa um sublime endosso de Deus ao nosso recomeço. É uma nova chance para continuar. Essa oportunidade é concedida pelo Pai, mas o recomeço é com cada um de nós. Reencarnar é com Deus, renascer é conosco.

Eis o segredo do verdadeiro prazer de viver: reconhecer que somos escultores de nosso destino e as únicas criaturas responsáveis por emperrá-lo ou direcioná-lo para alcançar o ideal de ser feliz.

O prazer de viver acontece quando o coração é preenchido de esperança. Com a esperança, tornamo-nos mais realizadores, espontâneos e menos racionais.

Prazer de viver é saber tolerar as frustrações, transformando-as em ferramentas para a construção de virtudes.

É entender os recados divinos que se escondem nos sentimentos mais temidos pelo homem, tais como: a inveja, o orgulho, o medo, a mágoa e a culpa. Eles são pistas emocionais excelentes sobre nossa realidade pessoal.

É entender que a crise da meia-idade significa não só o desfio das descobertas dolorosas, mas o convite da vida par tomarmos posse dos talentos e das vocações que se escondem no mundo inconsciente de nós mesmos.

A meia-idade é por demais sacrificial para não nos levar a lugar algum. Sua direção divina é a masi sublime conquista das pessoas livres e felizes. Essa é a sua recompensa. A dor da travessia solitária é o preço que a vida solicita para atingirmos o nosso melhor instante diante da reencarnação.

O doutor Carl Gustav Jung asseverou: “Inteiramente despreparados embarcamos na segunda metade da vida (…), damos o primeiro passo na tarde da vida; pior ainda, damos esse passo com a falsa suposição de que nossas verdades e ideais vão servir-nos como antes. Mas não podemos viver a tarde da vida de acordo com o programa da sua manhã – pois o que foi grande pela manhã vai ser pouco à tarde, e aquilo que pela manhã era verdade, à tarde se tornará  mentira”.

Segundo Jung, as verdades ideais nessa busca pelo prazer de ser e existir irão desmoronar. A maior perda será a da pessoa que achávamos que éramos. É a morte da  autoilusão. A desilusão de que pensamos sobre nós, será, por certo, um dos maiores desafios nesse circuito de amadurecimento.

Crenças serão sacudidas, valores serão repensados, frustrações reaparecerão, medos emergirão na intimidade, a noção de dever será ampliada, o certo e o errado serão questionados, a culpa pode aparecer com intensidade surpreendente, mas em muitos casos, ela simplesmente deixará de existir. colocando-nos para pensar na razão de seu desaparecimento.

Como assevera Lázaro: “O dever íntimo do homem fica entregue ao seu livre-arbítrio.”Seremos entregues a nós mesmos para decidir o que queremos da vida e seremos colocados em situações externas e internas desafiadoras para usarmos o livre-arbítrio, como seres que se candidatam a proprietários eternos dos seus destinos, conquistando a sublime recompensa de se libertar da prisão da dependência e da submissão que, há milênios, nos faz criaturas infelizes com a própria vida.

A travessia solitária da meia-idade só pode ser transporta de mãos dadas com a esperança. A esperança de que só existe um estado para ser alcançado – a felicidade. Quem atravessa a noite psicológica da desilusão haverá de trazer sempre na alma a certeza de que, logo adiante, nos espera o melhor dos nossos dias. Por essa razão, se quisermos encurtar o caminho evitemos a pressa.

A pressa cria fugas espetaculares e inteligente que só nos farão mais angustiados. Na crise espiritual da meio-idade, conseguiremos visualizar nítidas expressões do futuro. Entretanto, nem sempre o futuro visto é imediato. Tais vislumbre podem terminar em pressa e atropelo. Eis por que a travessia pede calma. Já será bom saber que amanhã chegaremos aonde conseguimos enxergar. A vida, porém, é realidade, e não suposição. por outro lado, tenhamos sensatez, pois muitas dessas percepções determinarão decisões para agora,a fim de que o amanhã seja construído satisfatoriamente.

Saber quem somos e qual é nossa missão particular na existência nos faz criaturas solitárias. É um percurso que faremos desacompanhados para atingir a individuação.

A lição da solidão foi o ápice da vida de Jesus no calvário. Entregue à pesada cruz na qual seria crucificado, carregou-a resignadamente, aceitando com determinação a subida para o encontro com o Divino. Ele guardava lúcida compreensão daquele momento decisivo.

Enquanto muitos interpretam o calvário como um instante de tristeza, nele vemos o roteiro da maturação espiritual. Apesar da dor, logo vem a liberdade. É uma caminhada singular para cada um de nós, um convite intransferível para a aquisição da maior conquista das pessoas felizes e conscientes – existir em plenitude com a vida.

Ermance Defaux – Wanderley Oliveira – livro Prazer de viver cap 2

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