HUMANIZAÇÃO, UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO EMOCIONAL

coraçao

“Em sua origem, o homem só tem instintos, quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos.” Lázaro, Paris, 1862 – O E.S.E. cap 11 item

Agir por instinto é conduzir-se por impulso, sem consciência das forças internas e externas movimentadas em nosso ser; para que nos comportemos desta ou daquela maneira.

Mesmo já vivendo no reino nominal, expressiva parcela da humanidade tem dispensado a sua real condição evolutiva mantendo-se na animalidade.

 

Apesar dos avanços da inteligência, a maioria dos homens do século 21 age conforme seus velhos antecessores da era instintiva. Apesar de possuir a vontade e a capacidade de escolher pelo raciocínio, ainda é guiado, com muita frequência, pelo instinto.

Frases como “sei que devo fazer assim, só não sei explicar o por que”; “ninguém me ensinou isso, apenas sei que devo ser assim” e “fiz isso, mas nem sei o motivo” demonstram claramente condutas instintivas ou de imitação, nas quais a razão não toma parte.

Humanizar é promovermo-nos à condição de administradores ativos dos valores superiores que se encontram em nosso interior. É vencer esse automatismo que nos impede de colocar a inteligência a serviço do crescimento integral. É utilizar a informação para efetuar a nossa transformação.

Entre os valores divinos dos quais somos herdeiros, podemos encontrar o sentimento – conquista tecida em milhões de anos nas experiências da sensibilidade estimulada. No entanto, como assegura o codificador na referência anterior, somente quando a instrução e a depuração se alinham é que temos o sentimento.

Na atualidade, é evidente o desajuste entre o pensar e o sentir. Por isso, um conceito prático e urgente de humanização aplica-se à tarefa de nos educarmos emocionalmente para a aquisição de maior soma de domínio e conhecimento do mundo emotivo.

Humanizar é perceber o outro e reconhecer o que ele sente, é estar em relação educativa com ele. Reflitamos sobre esse enfoque!

O ego é a fonte dos condicionamentos milenares refletidos na inteligência. A consciência é a expressão de Deus presente nos sentimentos, sendo esse o espelho da presença do Pai em nós. O estado de fixação no ego restringe-se a pensar o outro, ou seja, a elaborar uma ideia do que o outro seja, muito distante do que ele realmente é, gerando expectativas e cobranças nas relações com o outro. Só há relação quando há troca, intercâmbio de impressões e forças sutis, identificando com clareza o que sentimos pelo outro e como vibra o coração do próximo.

A base da humanização inclui a tolerância que necessitamos ter com os outros no terreno de nossas heranças espirituais. Quando entramos no processo de pensar o outro, criamos imagens mentais que geram expectativas de perfeição, cobrando exatidão e boa conduta alheia. São projeções do ego que manifestam um mecanismo de proteção e têm por objetivo amortecer o peso das nossas imperfeições pessoais.

Ninguém pode ficar negando o que sente e esperar ser feliz. Quando estamos no estado do ego, tomos inúmeros mecanismos de defesa que nos levam a limitar a visão espiritual para as imperfeições que carregamos. Esses mecanismos agem pelo aprisionamento dos sentimentos. Temos usado alguns deles ao longo das reencarnações, criando verdadeiros esconderijos psíquicos nos quais procuramos  nos recolher em busca de uma falsa segurança. Nos humanizarmos é vencer essas defesas instintivas, assumirmos a luta contra nosso complexo de inferioridade espiritual e partir para um trabalho permanente de melhoria e aprimoramento, vencendo nossos medos, frustações, culpas e outros tantos  desafios emocionais.

Queremos fazer reforma intima pelo intelecto mudando somente os pensamentos, enquanto a reforma à luz do espírito é saber como se tornar senhor dos valores que estão em nossa intimidade desde a criação. Somos herdeiros de vivencias que pulsam com vivacidade em nosso ser. Ansiar por uma reforma interior repentina, ou esperar isso do próximo, é violentar nossa natureza intima. Queremos sentir o que não estamos preparados nem sabemos como sentir. Como perdoar? Quais as origens do sentimento de insegurança e de culpa? São inúmeras as questões que devermos formular sobre o universo emotivo!

O Autoamor nos leva a nos aceitar como somos e, com base na proposta de educação espiritual, a busca com autenticidade os caminhos de libertação e paz. As condições da felicidade são: saber quem somos, saber lidar com nossas forças afetivas e adquirir domínio sobre elas. Isso requer uma grande atitude de tolerância.

O apelo do Mais Alto pela humanização na seara espírita será providência saudável pelo bem da nossa causa e de nós próprios. Humanizar é, sobretudo, aprendermos a conviver com a diversidade da qual o outro é portador e também desenvolvermos uma relação pacifica com a vida que nos cerca. Conduta simplesmente impossível se não passarmos a esquadrinhar as emoções vividas a cada encontro e reencontro, a cada acontecimento e experiência de nossos dias, uns com os outros.

Um desafio nos aguarda no campo da reeducação. Estamos sendo convocados a aprender como cultivar o interesse pelos outros, entendendo-os como criaturas de Deus. Temos pela frente o trabalho de romper a barreira do ego e de nos abrimos para a vida abundante. Eis a questão central de nossas reflexões: como renovarmos o sentimento de interesse pessoal pra o sentimento de interesse universal? Como fazer para sentirmos a Terra como nossa grande casa e a humanidade como extensão da nossa família?

O projeto de humanização do movimento espírita é uma proposta concreta de amor, um desafio de nos colocarmos mais perto do nosso próximo, de fazermos com que a mensagem espírita seja mais importante que as práticas, que valorizemos mais a causa do que a casa, um apelo para que haja mais sorrisos de ternura e menos convenções institucionais, menos papéis sociais e mais amor espontâneo. O centro espírita, assim como as diversas instituições doutrinárias, está sendo convidado a se promover à praça fraterna de convívio libertador, superando os atuais conceitos de estudo doutrinário e exercício da caridade. Estudar, sim, mas para aprendermos a viver, fazendo das atividades esclarecedoras um contexto que retrate a realidade social na qual estamos inseridos, trazendo o mundo de fora para dentro, conduzindo-nos às reflexões e preparando-nos para viver como homens de bem. Além disso, ampliarmos a noção de caridade como prática de doações para a noção educativa do exercício do amor entre aqueles que realizam a tarefa.

Humanizar é focarmos no coração. É temperarmos nossa convivência com emoções de alegria e gratidão, dando encanto e luz aos nossos momentos uns com os outros, diante dos lances da vida.

Dia virá em que o homem perceberá que nada existe de mais lúdico e enobrecedor que conhecer pessoas. Desvendar o mundo de sonhos e o imaginário individual que está arquivado em cada ser. Conhecer a origem das histórias de dor e de amor de cada criatura. Nesse instante, o conceito de prática espírita passará a ser um processo de aproximação afetiva e i interesse central de quem participa dele será romper as barreiras que nos separam de quem quer que seja. É o aprender e crescer com todos.

Jesus, o maior agente de humanização que passou pela Terra, deixou claro em Seu magnífico discurso que Seus discípulos seriam conhecidos por muito amarem. A que proposta maior de humanização podemos aspirar?

Devemos aceitar, o quanto antes, esse desafio de aprendermos a amar e buscarmos respostas sobre como realizar os nossos anseios mais nobres que começam a brotar e sobre como superar os nosso instintos São essas respostas que nos levarão ao encontro de nós mesmos, solidificando o amor dentro de nós.

E, somente assim, gostando um pouco mais de nós, descobrimos nossa intimidade ignorada, instintiva e automatizada, é que desenvolveremos sentimentos novos e fortes que nos levarão em direção ao outro, construindo a Era do Afeto, tornando-nos felizes e integrados ao sistema de equilíbrio que sustenta o Universo, Instruídos e aprimorados, seremos a expressão do amor de Deus.

Ermance Dufaux – Wanderley Oliveira – livro Prazer de Viver cap 4

 

 

 

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