Arquivo mensal: dezembro 2016

PROJETO EM CONSTRUÇÃO

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A aceitação de sim mesmo tem alguma coisa a ver com humildade, com a coragem de aceitar sua própria humanidade.

Anselm Grun

 

UM DOS PRINCIPAIS CAMINHOS para e ter uma autoestima adequada é desenvolver a capacidade de aceitação de si mesmo. Ninguém ama o que não aceita. Quase todos nós alimentamos uma forte sensação de autorrejeição, por não sermos aquela pessoa perfeita que gostaríamos de ser. E isso nos deixa constantemente frustrados e inseguros, sem que o amor possa nos propiciar uma experiência mais feliz de viver.

Nosso grande algoz é o orgulho, que nos faz demasiadamente pretenciosos de uma perfeição para hoje, quando essa perfeição somente poderá ser conquistada ao longo de muitas vidas, de muitas experiências e, também, de muitos tropeços.

Por isso, estou relacionando a aceitação de nós mesmos à humildade. Não basta saber que temos pontos fortes. É preciso também aceitar as nossas fraquezas e limites. Aceitar o nosso real tamanho! O orgulho nos põe no mundo do ideal e a humildade nos traz para o real. O único lugar em que as mudanças podem ocorrer.

Precisamos tirar as vendas do orgulho e nos enxergar com a naturalidade própria de um ser humano. Nem sempre agiremos com perfeição, nem sempre seremos os melhores, os mais fortes, nem sempre saberemos as respostas, nem sempre encontraremos a solução pronta para tudo. Nem sempre estaremos de bom humor, nem sempre teremos paciência. Quando tudo isso acontecer, vamos nos render à nossa condição humana, e, a partir dela, construir as pontes do nosso crescimento. Só cresce quem é humilde. O orgulhoso acha que há atingiu a patamar da perfeição e que, se algo ainda não deu certo, é porque o mundo é culpado.

Nesses momentos, a humildade nos ajuda a enfrentar a nossa ignorância. O orgulho nos faz ter ilusões de grandeza a nosso respeito, e, assim, impede que identifiquemos os nossos erros para, então, superá-los. Por isso, muitas vezes, a nossa vida trava, por mais que se tente movimentá-la para frente, pois o orgulho é como um véu que encobre as nossas imperfeições e limites, e somente quem enxerga a sua própria realidade é capaz de muda-la.

Aceitemos que não somos obra pronta. Admitamos que somos um projeto em construção e que ainda carregamos pedras disformes que, aos poucos, serão naturalmente lapidadas. E não fiquemos tão desapontados conosco, porque nem Deus deixa de nos amar e compreender um minuto sequer nos momentos em que as nossas fraquezas se escancaram! Deus sabe que é a fraqueza que um dia nos fará forte, é a ignorância que nos trará a sabedoria, é a doença que levará à saúde, é o erro que nos conduzirá à experiência do acerto! Tudo está certo na ordem divina!

Hoje, eu só posso ser o que sou. E isso é bom. Isso é permitido. Isso é humano!

José Carlos de Lucca – Pensamentos que ajudam

A CONQUISTA DA SERENIDADE

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Um dia amanhece glorioso, com a luz do sol atravessando as folhas. Silêncio que é quebrado pelo som dos passarinhos que acordam.

Murmúrio de regatos que cantam perfume de relva molhada pelo orvalho da noite. Será isso serenidade?

A natureza oferece ao homem a oportunidade do silêncio externo, o exemplo da calma. Mas sozinha, ela, a natureza, será capaz de trazer a paz interna?

Muita gente diz assim: Vou sair da cidade, a fim de descansar. Quero esquecer barulho, poluição, trânsito.

Essa é uma paz artificial. Em geral, depois de alguns dias descansando, a pessoa volta para a cidade e aos ruídos da chamada civilização. E ainda exclama ao chegar: Que bom é voltar para o conforto da cidade.

E, nas semanas seguintes, enfrenta novamente os engarrafamentos de trânsito, o som constante das buzinas, a fuligem. A comida engolida às pressas e o estresse do cotidiano estão de volta.

Então vem a pergunta: Será que realmente a serenidade existe em nossa alma? Se ela estivesse mesmo em nós, não teríamos de deixar o local em que vivemos para encontrar a paz, não é mesmo?

A conquista da serenidade é gradativa. A natureza não dá saltos e as mudanças de hábitos arraigados ocorrem muito lentamente. Não se engane com isso.

Muita gente acredita que a simples decisão de modificar um padrão de comportamento é suficiente para que isso aconteça. Mas não é assim.

Um antigo provérbio chinês traduz muito bem essa dificuldade. Ele diz assim: “Um hábito inicia como uma teia de aranha e depois se torna um cabo de aço”. O mesmo acontece em nossa vida.

E a conquista da serenidade não escapa a essa lógica de criar novos hábitos, de reeducar-se. Sim, pois tornar-se pacificado é um exercício de autoeducação.

A pessoa educa-se constantemente. Treina a paciência, o silêncio da mente. É uma conquista diária, um processo que vai se instalando e se fortalecendo.

E por onde começar? O melhor é iniciar pelo dia a dia. Treinando com parentes, amigos, colegas de trabalho. Não se deixando perturbar pelas pequenas coisas do cotidiano.

Das pequenas coisas que irritam, a pessoa passa a adquirir mais força para superar problemas mais graves, situações mais complexas.

Aos poucos, suaviza-se o impacto que os outros exercem sobre nós. Acalma-se o coração, dominam-se as emoções, tranquiliza-se a mente.

O resultado é o melhor possível. Com o passar do tempo, a verdadeira paz se instala. E mesmo em meio aos ruídos de todo dia, o homem pacificado não se deixa perturbar.

É como um oásis em meio ao caos da vida moderna. Um espelho de água em meio a tempestades. Esse homem, em qualquer lugar que esteja, traz a serenidade dentro de si.

Experimente começar essa jornada hoje mesmo. Vai torná-lo muito mais feliz.

* * *

A serenidade resulta de uma vida metódica, postulada nas ações dinâmicas do bem e na austera disciplina da vontade.

Mantenhamos a serenidade e a nossa paz se espalhará entre todos.

Redação do Momento Espírita, e pensamentos do verbete Serenidade, do livro Repositório de sabedoria, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.