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Três Conclusões

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O tempo concedido ao Espírito para uma reencarnação, por mais longo, é sempre curto, comparado ao serviço que somos chamados a realizar. Importante, assim, o aproveitamento das horas.

Meditemos no gasto excessivo de forças em que nos empenhamos levianamente no trato com assuntos da repartição de outrem.

Quantos milhares de minutos e de frases esbanjamos por década, sem a mínima utilidade, ventilando temas e questões que não nos dizem respeito?

Para conjugar essa perda inútil, reflitamos em três Conclusões de interesse fundamental.

O que os outros pensam: Aquilo que os outros pensam é ideia deles. Não podemos usufruir-lhes a cabeça para imprimir-lhes as interpretações que são capazes diante da vida. Um indígena e um físico contemplam a luz, mantendo conceitos absolutamente antagônicos entre si. Acontece o mesmo na vida moral. Precisamos nutrir o cérebro de pensamentos limpos, mas não está em nosso poder exigir que os semelhantes pensem como nós.

O que os outros falam: A palavra dos amigos e adversários, dos conhecidos e desconhecidos, é criação verbal que lhes pertence. Expressam-se como podem e comentam as ocorrências do dia a dia com os sentimentos dignos ou menos dignos de que são portadores. Efetivamente, é dever nosso cultivar a conversação criteriosa; contudo, não dispomos de meios para interferir na manifestação pessoal dos entes que nos cercam, por mais caros nos sejam.

O que os outros fazem: A atividade dos nossos irmãos é fruto de escolha e resolução que lhes cabe. Sabemos que a Sabedoria Divina não nos criou para cópias uns dos outros. Cada consciência é domínio à parte. As criaturas que nos rodeiam decerto que agem com excelentes intenções, nessa ou naquela esfera de trabalho, e, se ainda não conseguem compreender o mérito da sinceridade e do serviço ao próximo, isso é problema que lhes compete e não a nós.

Fácil deduzir que não podemos fugir da ação nobilitante, a benefício de nós mesmos, mas não nos compete impor nas decisões alheias, que o próprio Criador deixa livres.

À vista disso, cooperemos com os outros e recebamos dos outros o auxílio de que carecemos, acatando a todos, mas sem perder tempo com o que possam pensar, falar e fazer. Em suma, respeito para os outros e obrigação para nós.

André Luiz

Do livro Estude e Viva, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

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PAZ NÃO É INÉRCIA

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Que a paz esteja com você! – Jesus (João 20:21)

Essa foi a saudação que Jesus fez aos discípulos, temerosos diante da perseguição que os líderes judeus promoviam contra os cristãos. Os discípulos estavam reunidos secretamente, amedrontados, e Jesus, que já havia sido crucificado, apareceu-lhes em espírito, exortando que a paz estivesse com eles!

Hoje, talvez, estejamos aflitos por algum motivo. É possível que estejamos com medo – medo de viver, medo de que algo ruim nos aconteça, medo de que nossos sonhos desmoronem.

A experiência humana é cercada de muitos desafios e frustrações. Não temos garantia de que tudo sempre sairá bem. Nossos planos nem sempre darão certo. E mesmo aqueles que se concretizam, muitas vezes, ao longo do tempo, se tornam pesadelos.

Por essa razão, Jesus faz o apelo para que estejamos em paz, mesmo nos momentos dos grandes desafios.

Paz não é ausência de luta.

Paz não é acovardamento perante os obstáculos.

Paz não é fugir do mundo com medo de enfrentar contrariedades.

Paz não é se isolar das pessoas com medo de ser ferido.

Paz não é inércia, nem comodismo.

Vale lembrar que Jesus veio falar de paz aos discípulos exatamente quando eles estavam atemorizados pela perseguição aos cristãos.

A paz nasce quando estamos realizando a nossa missão de vida.

Nasce quando estamos plantando nossos sonhos, apesar das tempestades.

A paz brota quando, a despeito do medo que sentimos, tomamos as atitudes necessárias à solução de problemas que nos afligem.

A paz surge quando expulsamos os conflitos com a coragem de entender e perdoar.

A paz renasce quando, apesar de toda a guerra, nosso coração não desiste de amar!

Certa feita, Jesus falou palavras fortes e, aparentemente, estranhas. Disse que ele não tinha vindo trazer a paz, mas, sim a espada. (Mt 10:34) É claro que Jesus não estava pregando a violência – isso seria incoerente com os seus ensinamentos de amor e bondade. Sou da opinião que, ao se referir à espada, Jesus quis se referir à necessidade que temos de cortar nossas ligações com o mal, isto é cortar o egoísmo, o orgulho, o medo, a maledicência, a mágoa, o ódio e tudo aquilo que nos afasta da paz. Curiosamente, por mais paradoxal que possa parecer, não há paz sem luta – evidentemente, não luta contra o próximo, nem contra nós mesmos, mas luta contra as nossas tendências inferiores que, uma vez manifestadas, criam conflitos em nossa vida, que tanto nos fazem sofrer.

Com Jesus, aprendemos que a paz não vem de fora, não nasce apenas quando o céu está azul, não é um empréstimo divino. A paz é uma virtude que construímos dentro de nós, sobretudo quando o céu está nublado de problemas, e seus alicerces estão na consciência tranquila por estarmos lutando contra o que nos impede de crescer e ser feliz.

Jose Carlos de Lucca

Livro – Pensamentos que Ajudam

 

SAÚDE, A DOENÇA, CURA E A AUTOCURA

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Dr. Andrei, o que é a saúde, a doença, cura e a autocura na abordagem médico-espírita?

A saúde é entendida como o reflexo do equilíbrio do ser em relação às leis divinas. Na visão espírita, o homem é um ser imortal, alguém que preexiste à vida física, que sobrevive ao fenômeno biológico da morte e, ao longo do processo evolutivo, através da reencarnação, vai crescendo, desenvolvendo-se em direção a Deus. A saúde do corpo físico é um reflexo do nível de equilíbrio desse espírito no processo evolutivo perante o amor, o belo e o bem. Já a doença é uma sinalização interior de reequilíbrio, convidando o ser a reconectar-se com o amor e com a fonte. É uma mensagem gerada no mais profundo da realidade espiritual do ser e que se reflete no corpo físico como um convite à reconexão com o amor, ao desenvolvimento do autoamor e do amor ao próximo. Nessa visão, a saúde e o adoecimento são construções do próprio homem e ninguém é vítima de nada, senão de si mesmo, das suas próprias decisões, das suas próprias escolhas, daquilo que decide e determina em sua vida. Portanto, toda cura é também um fenômeno de autocura, porque, para que ela se instale em definitivo, é necessário que haja não simplesmente um alívio dos sintomas e uma resolução do processo biológico no corpo físico, mas também uma reformulação moral do pensamento, do sentimento e da ação, fazendo com que o ser esteja transformado em profundidade, em consonância com a lei divina, ou seja, mais em sintonia com a lei do amor.

O amor é, então, o caminho para a cura?

O amor é o grande medicamento, é a grande finalidade da existência. Na verdade, nós caminhamos em direção a Deus como o “filho pródigo” da parábola de Jesus, reconectando nossa relação com o Pai e retornando para a casa de Deus, que, na verdade, é dentro do nosso próprio coração, onde Deus está. Pouco a pouco, vamos fazendo isso, descobrindo as nossas virtudes, a grandeza íntima que há dentro de nós, tudo aquilo que Deus nos deu como possibilidade evolutiva e que pode nos realizar plenamente. Nesse contexto, o amor representa um movimento medicamentoso por excelência, enquanto movimento de respeito, de consideração, de valorização, de inclusão, de consideração. Ele nos trata as doenças da alma, que são orgulho, egoísmo, vaidade, prepotência, arrogância, e nos coloca em sintonia com a fonte, que é Deus, nos auxiliando a reconectar-nos com o Pai. Desenvolver o amor é o caminho mais rápido, fácil e eficaz para a cura da alma e do corpo.

Nos seminários, você apresentou também o perdão como o caminho para a saúde integral. Fale um pouquinho sobre isso.

Sim, o perdão é condição essencial para a saúde. Sem o perdão, não há paz interior, não há saúde nem física, nem emocional. Shakespeare dizia que não perdoar ou guardar mágoa é como beber veneno, desejando que o outro morra. O veneno age naquele que o guarda, que o cultiva dentro de si. E a mágoa atua dentro de nós na semelhança de uma planta que, uma vez guardada, cultivada, vai crescendo, criando raízes, dá flores, frutos e multiplica-se. E nós acabamos enredados em uma série de dores emocionais, sem que nem saibamos, às vezes, onde tudo começou. Tudo porque vamos guardando as coisas dentro de nós, sem trabalhar, sem dialogar, sem metabolizar emocionalmente aquilo que estamos sentindo, vivenciando. Quando vemos, a situação está numa questão muito profunda e muito grave.

Para que tenhamos paz, é necessário que abracemos o perdão como um projeto. O perdão é uma decisão pela paz, que se traduz em atitudes pelo estabelecimento dessa paz, no entendimento das questões emocionais, das nossas características pessoais, das circunstâncias que envolvem o ato agressor e da responsabilidade e co-responsabilidade nossa no processo. Ele se traduz como um processo, porque não se dá da noite para o dia. Ele se constrói ao longo do tempo e através de atitudes sucessivas de busca dessa metabolização emocional que, muitas vezes, precisa de um acompanhamento terapêutico profissional, através de um psicólogo que faça essa abordagem íntima e ajude-nos a encontrar nossas respostas, sentidos e significados mais profundos.

O perdão passa também pelo acolhimento e aceitação da nossa humanidade e da humanidade do outro, sobretudo, na superação dos traumas, porque só aceitando a condição fundamental do ser humano, de estar num processo contínuo de erro e acerto, é que a gente dá conta de conviver com os equívocos do outro que nos fere e até mesmo com os nossos mesmos. Naturalmente, nós só fazemos para o outro aquilo que fazemos para nós. Então, nós só conseguimos aceitar a humanidade do outro quando aceitamos a nossa própria humanidade, quando acolhemos em nós a nossa capacidade de errar e recomeçar, abraçando o auto-amor como uma proposta de vida. O autoamor é filho da humildade, uma das representações magníficas da amorosidade divina, aquela decisão interna de nos acolher, de nos tratar com ternura, compaixão e com a benevolência que nós necessitamos, embora com a firmeza necessária para domar as nossas paixões e renovarmo-nos de nossos defeitos que julguemos necessários. Então, o perdão é uma atitude de conquista desse estado de paz interior, através do entendimento das circunstâncias que nos envolvem e da decisão pelo amor.

Em Abaeté, é muito grande o número de pessoas viciadas em anti-depressivos, ansiolíticos, bebidas e drogas pesadas, como o crack. O que você poderia falar para essas pessoas?

Toda dependência é uma busca de aplacar o vazio interior através de coisas externas. Mas esse vazio interior, que nós todos temos, só é aplacado pela presença do autoamor. O vazio é um vazio do amor, mas esse amor que nos falta não é o amor que vem do outro, é o amor que vem de dentro, é o amor que a gente pode se dar. Então, para o tratamento e a profilaxia de qualquer processo de dependência, é importante ensinar as pessoas a se valorizarem, se respeitarem, se gostarem. A estabelecerem relações familiares honestas em que as pessoas dialoguem, conversem, estejam atentas umas às outras e partilhem suas emoções, mostrando-se, não de forma idealizada, mas de forma honesta, real, ensinando cada um a ver, em todos nós, luz e sombra, beleza e feúra, coisas positivas e negativas. Nós precisamos aprender a acolher esses dois lados, aprendendo a transformar aquilo que não amamos em nós e a valorizar e desenvolver aquilo que há de bom, de positivo.

A depressão passa pela não aceitação da vida. Há uma mensagem subliminar no depressivo que é: “como não tenho a vida que desejo, não aceito a vida que tenho”. Há também uma mensagem da arrogância, da prepotência de acreditar que, ferindo a si mesmo, fere a própria sociedade, fere o mundo. Muitas vezes, por trás da depressão, há culpas e processos autopunitivos profundos, em virtude da ausência da humildade, em se permitir aceitar a vida como pode ser e de recomeçar quantas vezes forem necessárias para se alcançar a felicidade.

No tratamento da depressão, é importante abordar a questão do desenvolvimento da aceitação da vida, da submissão ativa a Deus. Isso significa “aceitar a vida tal como ela está, mas fazendo tudo para se buscar aquilo que se deseja”, sem abandonar o prazer de viver, sem entrar naquela tristeza patológica, aquela tristeza excessiva que se configura como estado depressivo.

Os antidepressivos são muito úteis quando bem indicados durante um certo período, mas não podem virar uma muleta, eles não são a pílula da felicidade, não podem ser a fonte que nos dão a realização íntima, que aplacam a nossa dor. Nós temos, hoje, na nossa sociedade, uma medicalização excessiva, um uso abusivo de medicamentos, porque não aprendemos a lidar com naturalidade com as nossas emoções. O medo, a tristeza, a raiva, a alegria são emoções básicas, e nós temos que aprender a lidar com elas. Quando não lidamos de forma natural é que elas adoecem, se transformando em mágoa, em pânico, em euforia ou em depressão.

Na nossa sociedade, observamos que há um excesso de medicalização das emoções naturais. Tão logo a pessoa fica triste, já entra com um antidepressivo, um ansiolítico para que ela evite lidar com sua ansiedade ou sua tristeza. Mas a ansiedade e a tristeza são situações naturais da vida, que até um determinado nível são muito positivas e que nos falam muito a respeito de nós mesmos. É importante que o autoconhecimento guie o processo, pra que entendamos o que está acontecendo na nossa alma e na nossa vida. Marta Medeiros fala, de uma forma muito bela, que a tristeza é o quartinho do fundo onde a gente analisa a nossa vida. E é isso que nós temos que aprender: a estudar nossas emoções, nossas características, para retirar delas ensinamentos preciosos a respeito de nós mesmos e do outro e, com isso, nos tornarmos pessoas melhores.

O suicídio pode ser visto como uma doença da alma?

O suicídio é um ato de desespero em que o sujeito tenta matar a dor que há nele e, muitas vezes, ele envolve a família e os outros numa situação de dor ainda maior do que aquela que era a dor original. Por isso, também é uma manifestação de egoísmo. Nós devemos evitar o suicídio em nossa sociedade, estabelecendo acolhimento à dor emocional das pessoas, através de serviços competentes em que as pessoas possam ser escutadas, ouvidas, acolhidas e onde possam ser bem orientadas através de um acompanhamento terapêutico com profissionais competentes, que possam nos ajudar a metabolizar as dores e as dificuldades que vivemos. Precisamos, sobretudo, de um ensino religioso e moral que nos dê base e subsídio para entender quem somos, o que viemos fazer e para onde vamos e uma base moral que nos forneça elementos de estímulo ao desenvolvimento das virtudes que são potências da alma e verdadeiros profiláticos contra o suicídio.

Na visão espírita, o suicídio é um ato muito infeliz, porque o indivíduo reconhece-se vivo do outro lado da vida, matando somente o corpo físico. E aquela dor original, além de não estar resolvida, está aumentada pela circunstância do ato agressor à própria vida. Esse é um direito que nenhum de nós tem. Somente a Deus compete dar e retirar a vida. Então, diante daquele que cometeu o suicídio, nós devemos agir com compaixão e misericórdia, enviando-lhe as nossas preces. As orações sinceras daqueles que amam ou mesmo daqueles que têm boa vontade e desejam auxiliar chegam até o coração daqueles que estão em sofrimento do outro lado da vida como verdadeiros bálsamos, alívios e medicamentos que amenizam seu sofrimento e os auxiliam a prosseguir. Como a vida é eterna, cada um terá a oportunidade de se renovar, de recomeçar, embora tendo que lidar com os resultados infelizes que, às vezes, são sofrimentos desnecessários desses atos de desespero.

Na edição de dezembro, o Nosso Jornal abordou um problema preocupante, que é o número crescente de acidentes de trânsito com vítimas fatais, muitas vezes em veículos dirigidos por menores. O que poderíamos dizer, sobretudo aos pais que têm dificuldade em impor limites, em dizer não, e acabam emprestando o carro ou presenteando o filho menor com motocicletas?

Isso não pode acontecer de forma alguma. Os pais não podem abrir mão do seu direito e da sua responsabilidade como educadores. Nossa sociedade exige que, para uma pessoa dirigir, ela esteja habilitada, e isso somente após a maioridade. Os pais têm que aprender a respeitar isso. Se não respeitam essa condição fundamental básica, assumem as consequências pelos erros daqueles que lhes são responsabilidade direta. Nós sabemos que, hoje, é muito difícil para as famílias aprender a colocar limites, porque vivemos processos educacionais que dão muita liberalidade aos jovens, sem o processo educacional que os ensine a usar a liberdade com responsabilidade. Então, os pais, enquanto educadores morais, não podem abrir mão desse papel. Devem ser aqueles que utilizam de vários instrumentos, procuram ajuda profissional se necessário, mas de forma alguma abrem mão do seu papel, desistindo dos adolescentes a eles vinculados. Precisam ser, sim, aqueles que buscam todos os recursos e meios para fornecer ao indivíduo o elemento educacional, que vem, sobretudo, pelo exemplo, porque os adolescentes aprendem muito mais vendo o que os pais fazem, do que escutando o que os pais dizem. O exemplo da família é extremamente importante no processo educacional, e a sociedade deve ter leis e cumprimentos das leis, deve estabelecer processos educativos para menores que sejam pegos sem habilitação, assim como para aqueles que sejam pegos alcoolizados, dirigindo, colocando em risco a sua vida e a vida de outros. E os pais devem agir com responsabilidade também, estabelecendo processos internos na dinâmica familiar que sejam processos delimitadores quando os menores ou quando os indivíduos, mesmo maiores, atinjam esse nível de irresponsabilidade, colocando em risco a sociedade. É dever dos pais fazer essa delimitação.

Inclusive, com internet, não é? Os jogos de internet que são viciantes também…

Jogos viciantes, agressivos, que desenvolvem a agressividade no indivíduo e que, muitas vezes, alienam o indivíduo da vida de relação. Nós temos visto adolescentes viciados em jogos de internet que não priorizam a relação com o outro, o estar fora de casa, o conviver. Com isso, acabam se tornando adultos fechados, reprimidos e com dificuldades de estabelecer laços afetivos profundos. Então, todas as instrumentações da vida são positivas, mas têm que ser limitadas. Os pais têm que limitar o uso da internet, entrar em acordo com seus filhos. Não agir simplesmente de forma autoritária, mas estabelecer acordos para processos educativos que levem o jovem a se envovler com esporte, com a sociabilização, com a educação moral, através da educação religiosa, das atividades sociais, a responsabilização com o bem a seus semelhante. O jovem pode ser direcionado para atividades voluntárias, caritativas, que são extremamente educadoras e fazem o jovem conhecer outras realidades, vislumbrar outras perspectivas e, muitas vezes, ressignificar a própria vida e o próprio contexto. É dever dos pais estabelecer os limites e as regras da convivência sem abrir mão desse direito e dessa obrigação moral que eles têm.

Esse ciclo de palestras em Abaeté foi também o lançamento do seu livro “Cura e Autocura”. Fale um pouquinho sobre esse trabalho.

Andrei Moreira 

“Cura e Autocura, uma visão médico-espírita”, é uma publicação da Ame editora, o órgão editorial da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais, e aborda a saúde e o adoecimento dentro da visão espírita. São 16 capítulos, abordando diversos aspectos como, por exemplo, o perdão como caminho de cura, a caridade como instrumento de cura, a ação do pensamento na saúde e na doença, as curas de Jesus, a saúde e o adoecimento na visão espírita, terapêutica, médico-espírita, bem como o terapeuta como curador e outros assuntos, com apresentação de casos, de trabalhos práticos também nesse sentido, sobretudo o amor e o auto-amor como caminhos de encontro do ser consigo mesmo e de cura do corpo e da alma.

PROJETO EM CONSTRUÇÃO

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A aceitação de sim mesmo tem alguma coisa a ver com humildade, com a coragem de aceitar sua própria humanidade.

Anselm Grun

 

UM DOS PRINCIPAIS CAMINHOS para e ter uma autoestima adequada é desenvolver a capacidade de aceitação de si mesmo. Ninguém ama o que não aceita. Quase todos nós alimentamos uma forte sensação de autorrejeição, por não sermos aquela pessoa perfeita que gostaríamos de ser. E isso nos deixa constantemente frustrados e inseguros, sem que o amor possa nos propiciar uma experiência mais feliz de viver.

Nosso grande algoz é o orgulho, que nos faz demasiadamente pretenciosos de uma perfeição para hoje, quando essa perfeição somente poderá ser conquistada ao longo de muitas vidas, de muitas experiências e, também, de muitos tropeços.

Por isso, estou relacionando a aceitação de nós mesmos à humildade. Não basta saber que temos pontos fortes. É preciso também aceitar as nossas fraquezas e limites. Aceitar o nosso real tamanho! O orgulho nos põe no mundo do ideal e a humildade nos traz para o real. O único lugar em que as mudanças podem ocorrer.

Precisamos tirar as vendas do orgulho e nos enxergar com a naturalidade própria de um ser humano. Nem sempre agiremos com perfeição, nem sempre seremos os melhores, os mais fortes, nem sempre saberemos as respostas, nem sempre encontraremos a solução pronta para tudo. Nem sempre estaremos de bom humor, nem sempre teremos paciência. Quando tudo isso acontecer, vamos nos render à nossa condição humana, e, a partir dela, construir as pontes do nosso crescimento. Só cresce quem é humilde. O orgulhoso acha que há atingiu a patamar da perfeição e que, se algo ainda não deu certo, é porque o mundo é culpado.

Nesses momentos, a humildade nos ajuda a enfrentar a nossa ignorância. O orgulho nos faz ter ilusões de grandeza a nosso respeito, e, assim, impede que identifiquemos os nossos erros para, então, superá-los. Por isso, muitas vezes, a nossa vida trava, por mais que se tente movimentá-la para frente, pois o orgulho é como um véu que encobre as nossas imperfeições e limites, e somente quem enxerga a sua própria realidade é capaz de muda-la.

Aceitemos que não somos obra pronta. Admitamos que somos um projeto em construção e que ainda carregamos pedras disformes que, aos poucos, serão naturalmente lapidadas. E não fiquemos tão desapontados conosco, porque nem Deus deixa de nos amar e compreender um minuto sequer nos momentos em que as nossas fraquezas se escancaram! Deus sabe que é a fraqueza que um dia nos fará forte, é a ignorância que nos trará a sabedoria, é a doença que levará à saúde, é o erro que nos conduzirá à experiência do acerto! Tudo está certo na ordem divina!

Hoje, eu só posso ser o que sou. E isso é bom. Isso é permitido. Isso é humano!

José Carlos de Lucca – Pensamentos que ajudam

A CONQUISTA DA SERENIDADE

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Um dia amanhece glorioso, com a luz do sol atravessando as folhas. Silêncio que é quebrado pelo som dos passarinhos que acordam.

Murmúrio de regatos que cantam perfume de relva molhada pelo orvalho da noite. Será isso serenidade?

A natureza oferece ao homem a oportunidade do silêncio externo, o exemplo da calma. Mas sozinha, ela, a natureza, será capaz de trazer a paz interna?

Muita gente diz assim: Vou sair da cidade, a fim de descansar. Quero esquecer barulho, poluição, trânsito.

Essa é uma paz artificial. Em geral, depois de alguns dias descansando, a pessoa volta para a cidade e aos ruídos da chamada civilização. E ainda exclama ao chegar: Que bom é voltar para o conforto da cidade.

E, nas semanas seguintes, enfrenta novamente os engarrafamentos de trânsito, o som constante das buzinas, a fuligem. A comida engolida às pressas e o estresse do cotidiano estão de volta.

Então vem a pergunta: Será que realmente a serenidade existe em nossa alma? Se ela estivesse mesmo em nós, não teríamos de deixar o local em que vivemos para encontrar a paz, não é mesmo?

A conquista da serenidade é gradativa. A natureza não dá saltos e as mudanças de hábitos arraigados ocorrem muito lentamente. Não se engane com isso.

Muita gente acredita que a simples decisão de modificar um padrão de comportamento é suficiente para que isso aconteça. Mas não é assim.

Um antigo provérbio chinês traduz muito bem essa dificuldade. Ele diz assim: “Um hábito inicia como uma teia de aranha e depois se torna um cabo de aço”. O mesmo acontece em nossa vida.

E a conquista da serenidade não escapa a essa lógica de criar novos hábitos, de reeducar-se. Sim, pois tornar-se pacificado é um exercício de autoeducação.

A pessoa educa-se constantemente. Treina a paciência, o silêncio da mente. É uma conquista diária, um processo que vai se instalando e se fortalecendo.

E por onde começar? O melhor é iniciar pelo dia a dia. Treinando com parentes, amigos, colegas de trabalho. Não se deixando perturbar pelas pequenas coisas do cotidiano.

Das pequenas coisas que irritam, a pessoa passa a adquirir mais força para superar problemas mais graves, situações mais complexas.

Aos poucos, suaviza-se o impacto que os outros exercem sobre nós. Acalma-se o coração, dominam-se as emoções, tranquiliza-se a mente.

O resultado é o melhor possível. Com o passar do tempo, a verdadeira paz se instala. E mesmo em meio aos ruídos de todo dia, o homem pacificado não se deixa perturbar.

É como um oásis em meio ao caos da vida moderna. Um espelho de água em meio a tempestades. Esse homem, em qualquer lugar que esteja, traz a serenidade dentro de si.

Experimente começar essa jornada hoje mesmo. Vai torná-lo muito mais feliz.

* * *

A serenidade resulta de uma vida metódica, postulada nas ações dinâmicas do bem e na austera disciplina da vontade.

Mantenhamos a serenidade e a nossa paz se espalhará entre todos.

Redação do Momento Espírita, e pensamentos do verbete Serenidade, do livro Repositório de sabedoria, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

 

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

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SEM DÚVIDA, amar, seja a quem for, na convivência diária, que se nos exponha em suas mazelas, tanto quanto nos exponha em nossas limitações, é muito diferente de amar alguém que se coloque à distância de nossa realidade existencial cotidiana.

Amar, pois, é um cosntante exercício de múltiplas virtudes que nos leva à aceitação dos outros como eles são, para que, por fim, os outros  nos aceitem como somos.

Irmão José

Prefácio do livro Amai-vos uns aos outros – Carlos A. Baccelli

 

VACINA NATURAL

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NÃO IGNORES que o teu bom humor será vacina natural contra estados nocivos de alteração  contra estados nocivos dE alteração da personalidade que, através da amargura e da indignação, possam atacar-te de inopino.

Assim, quando perceberes que a luz de teu costumeiro sorriso tende a se apagar em teu semblante, cedendo lugar à sombra taciturna da tristeza, não deixes de buscar novas motivações à alegria.

Não permaneças abatido por um tempo mais longo do que aquele que te possibilite identificar, em ti mesmo, a contrariedade que, na maioria das vezes, por quase nada, se te instale no espírito.

Não cries o hábito de te aborreceres desnecessariamente, qual se não mais soubesses viver senão sob o domínio do azedume e da queixa, que se te destilam da boca em forma de palavras sempre agressivas contra tudo e contra todos.

Recordas que, mais cedo ou mais tarde, todas as atitudes exasperadas de tua parte resultarão em teu desfavor, das quais não poderás desculpar-te simplesmente alegando que não sabias que elas haveriam de ter consequências tão graves assim.

Irmão José – Carlos A. Baccelli

Livro Amai-vos uns aos Outros