COMO ORIENTAR A PRÓPRIA VIDA

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A vida é uma série de problemas a serem resolvidos. Como resolvê-los? Antigamente vigorava o método do comando, adaptado à fase infantil da humanidade. Devia-se obedecer cegamente. Por que? Parque assim tinha Deus falado. Aqui a mente humana estacava, porque era incapaz de avançar sozinha. Hoje ela sabe andar um pouca mais à frente e pergunta: mas por que falou Deus assim? O adulto discute a autoridade, mas reconhece-lhe a valor se ela serve à vida: obedece, se está convencido de que seja útil e justa. Não basta comandar, é necessário justificar o próprio direito ao comando.

O leitor dirá: mas eu não creio em Deus! Não tem importância. Pedimos apenas observar as fatos que nos mostram como funciona a vida. É pueril pensar que o crer ou não crer em nossas filosofias ou religiões possa modificar tal realidade. (…)  Diga-se que, na prática, afirmar ou negar sua presença não altera nada, porque todos obedecem àquelas leis, sejam de qualquer religião, ou não.

Não entramos na teoria geral de tal funcionamento da vida, o que nos levaria muita longe, (…). Aqui queremos ser fáceis e práticos; permanecemos, portanto, ligadas à realidade exterior, aquela que mais tocamos com as mãos. (…)

Entremos na matéria.

De n0ssa forma mental e estrutura da personalidade, de nossa escolha e conduta depende o modo pelo qual cada um constrói a própria vida e o seu própria destino. Primeira semeamos e depois colhemos. A relação causa-efeito é evidente. A vida é um laboratório onde encontramos os mais variados instrumentos e ingredientes. Nós os escolhemos e depois os manipulamos, como melhor nos parece, cada um a seu modo.

Grande parte deste trabalho é preestabelecido e automático: o nascimento, o desenvolvimento físico, a velhice, a morte, a reprodução, o funcionamento orgânico, os impulsos dos instintos e a formação de outros novos, pela assimilação no subconsciente das experiências vividas. Todos podemos verificar que nossa vida se desenvolve ao longo de uma rota estabelecida da qual ninguém pode sair.

Podemos, porém, permitir-nos oscilações, mas mesmo estas permanecem limitadas e corrigidas por uma lei sua, que tende a recanalizá-las na ordem, tão logo esta seja violada. Mesmo se, aparentemente, parece que dominam a nossa liberdade e o caos individualista, em substância, além destas aparências, todos os nossos movimentos permanecem regulados por leis cuja função é reconstruir o equilíbrio e sanar o mal que fazemos. Sem a presença dessa força íntima reguladora, o nosso mundo, abandonado a si mesma, desmoronaria dentro em pouco, enquanto, pelo contrário, vemos que ele se está construindo, porque evolui sempre para o alto.

A vida é um impulso de crescimento, é um anseio em direção à perfeição e à felicidade. A grande aspiração é subir, mesmo se cada um o faz a seu nível. Nisso manifesta-se a lei de evolução. Devemos evoluir e para isso a vida é  uma escola de experimentação para aprender. A primeira coisa que é necessário compreender, sobretudo os jovens construtores da vida, é que este é um trabalho de construção de si mesmo através de provas variadas, cada um sujeito àquelas mais adaptadas ao seu desenvolvimento.

A vida é uma coisa séria, a ser percorrida com consciência e responsabilidade, sabendo a que dores podem levar-nos os nossas erros. É necessário então saber como é construída a Lei, para evitar tais erros e as dores que se seguem. Esta lei pode ser chamada a Lei de Deus, parque exprime o Seu pensamento, pensamento que dirige cada fenômeno, em todos os níveis de evolução e planos de existência.

É necessário ter compreendido que o homem se move dentro dessa Lei como um peixe no mar. A finalidade de nossos movimentos é a experimentação, e a finalidade da vida é aprender. Estamos cheios de desejos, sobretudo os jovens, e de impulsos que nos lançam a provar o que serve para construir-nos. Os efeitos desse trabalho ficam registrados e são acrescentados à nossa personalidade, que se enriquece de conhecimento, constituindo a nossa própria evolução. Par aí compreende-se a importância do saber viver. Assim, ao fim da vida, seremos ricos se soubermos adquirir novas e melhores qualidades; e seremos pobres se nada fizemos e, portanto, nada aprendemos de bom. Isso, independentemente de todos os triunfos, conquistas e bens terrenos, que só valem como miragens que nos induzem a fazer o trabalho de experimentação e de aquisição de qualidades.

Trata-se de um novo modo de conceber a vida, em função de outras pontos de referência, para   conquistar outros valores. Antigamente relegava-se isso ao plano espiritual em bases emotivas de fé e sentimento. Hoje, fazemo-la baseando-nos na lógica, observações dos fatos e controle experimental. Já é um progresso, parque daí nasce um tipo de moral positivamente cientifica e universal, aquela que os novos tempos de espírito crítico exigem. Progresso necessário, para que, quanto mais se avança, tanto mais os problemas a resolver, de que é feita a vida, se fazem mais numerosos e difíceis. Os instrumentos de experimentação que encontramos no seu laboratório e que devemos adotar para aprender, fazem-se sempre mais complexos e de difícil uso. Para nossos ancestrais bastava uma ética elementar para resolver os seus problemas. Faz-se necessário, agora, uma ética sempre mais complexa e exata para resolver os novos problemas que surgem, quando se sabe a um nível evolutivo mais elevado. Para dirigir uma carroça ou um automóvel  é necessário grau diverso de perícia e precisão.

A nossa sociedade atual não possui escolas que eduquem a fundo, ensinando a viver. (…) Antigamente bastava não dar escândalo e que o pecado não fosse visto. A verdadeira ciência da vida consistia em esconder os próprios defeitos, não em corrigi-los. (…). A liberdade individual cresceu e o pecado social adquiriu importância, porque prejudica o próximo. Hoje a vida faz-se sempre mais coletiva e exige um maior senso  de responsabilidade.

Ora, quem entendeu tem o dever de mostrar como tudo funciona àqueles que podem e querem compreender.  Com estes apontamentos buscamos preencher a vácuo de conhecimento que se verifica nas diretivas fundamentais de nossa vida, em nosso pensamento e nossos atos. Antigamente (…)  Os jovens enfrentavam a vida, tomando as mais graves decisões, em estado de completa ignorância dos problemas que deviam enfrentar e das suas soluções. Procedia-se por tentativas, ao acaso, seguindo miragens. Nada de planificações racionais da vida, nenhum conhecimento das conseqüências. Disso pode-se deduzir quão despreparado estava o indivíduo para resolver as seus problemas com inteligência.

Aquilo que buscamos adquirir (…) é a consciência de nós mesmos, o conhecimento do significado, valor e conseqüências de cada ato nosso, de modo que tudo se desenvolva beneficamente, de maneira satisfatória para o indivíduo. Desejamos ensiná-lo a ser forte, resistente, positivo, construtivo. Chegou a hora de dar um salto à frente, em direção a um novo tipo de seleção biológica,(…) trata-se de um tipo de seleção mais aperfeiçoado, que deseja produzir o homem inteligente, trabalhador, espiritualmente forte, coletivamente organizado. Trata-se de construir o homem consciente, que sabe pensar por si, independente do juízo alheio, um responsável porque conhece a Lei de Deus e, segundo ela, sabe viver.

Tal conhecimento e o fato de saber viver de tal modo, com a consciência de encontrar-se dentro da Lei, em harmonia com ela, devem dar a esse homem resistência na adversidade, que só pode possuir quem sabe encontrar-se de acordo com a Lei, portanto em posição de justo equilíbrio na seio da ordem universal.(…) A verdadeira força não está nos poderes humanos, mas no estado de retidão.

Quem compreendeu como tudo isso funciona, sabe que estas não são apenas palavras.

(…)

Através da observação e da experimentação chegamos à conclusão que existem no campo moral e espiritual leis inderrogáveis como as existentes no campo da matéria e da energia. Todas os fenômenos, de cada tipo, são regidas por leis exatas que não são senão ramificações de uma lei central que contém os princípios que regulam o funcionamento de todo o universo.

(…)

Como Orienta a Própria Vida – Pietro Ubaldi – Introdução