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PAZ NÃO É INÉRCIA

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Que a paz esteja com você! – Jesus (João 20:21)

Essa foi a saudação que Jesus fez aos discípulos, temerosos diante da perseguição que os líderes judeus promoviam contra os cristãos. Os discípulos estavam reunidos secretamente, amedrontados, e Jesus, que já havia sido crucificado, apareceu-lhes em espírito, exortando que a paz estivesse com eles!

Hoje, talvez, estejamos aflitos por algum motivo. É possível que estejamos com medo – medo de viver, medo de que algo ruim nos aconteça, medo de que nossos sonhos desmoronem.

A experiência humana é cercada de muitos desafios e frustrações. Não temos garantia de que tudo sempre sairá bem. Nossos planos nem sempre darão certo. E mesmo aqueles que se concretizam, muitas vezes, ao longo do tempo, se tornam pesadelos.

Por essa razão, Jesus faz o apelo para que estejamos em paz, mesmo nos momentos dos grandes desafios.

Paz não é ausência de luta.

Paz não é acovardamento perante os obstáculos.

Paz não é fugir do mundo com medo de enfrentar contrariedades.

Paz não é se isolar das pessoas com medo de ser ferido.

Paz não é inércia, nem comodismo.

Vale lembrar que Jesus veio falar de paz aos discípulos exatamente quando eles estavam atemorizados pela perseguição aos cristãos.

A paz nasce quando estamos realizando a nossa missão de vida.

Nasce quando estamos plantando nossos sonhos, apesar das tempestades.

A paz brota quando, a despeito do medo que sentimos, tomamos as atitudes necessárias à solução de problemas que nos afligem.

A paz surge quando expulsamos os conflitos com a coragem de entender e perdoar.

A paz renasce quando, apesar de toda a guerra, nosso coração não desiste de amar!

Certa feita, Jesus falou palavras fortes e, aparentemente, estranhas. Disse que ele não tinha vindo trazer a paz, mas, sim a espada. (Mt 10:34) É claro que Jesus não estava pregando a violência – isso seria incoerente com os seus ensinamentos de amor e bondade. Sou da opinião que, ao se referir à espada, Jesus quis se referir à necessidade que temos de cortar nossas ligações com o mal, isto é cortar o egoísmo, o orgulho, o medo, a maledicência, a mágoa, o ódio e tudo aquilo que nos afasta da paz. Curiosamente, por mais paradoxal que possa parecer, não há paz sem luta – evidentemente, não luta contra o próximo, nem contra nós mesmos, mas luta contra as nossas tendências inferiores que, uma vez manifestadas, criam conflitos em nossa vida, que tanto nos fazem sofrer.

Com Jesus, aprendemos que a paz não vem de fora, não nasce apenas quando o céu está azul, não é um empréstimo divino. A paz é uma virtude que construímos dentro de nós, sobretudo quando o céu está nublado de problemas, e seus alicerces estão na consciência tranquila por estarmos lutando contra o que nos impede de crescer e ser feliz.

Jose Carlos de Lucca

Livro – Pensamentos que Ajudam

 

PROJETO EM CONSTRUÇÃO

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A aceitação de sim mesmo tem alguma coisa a ver com humildade, com a coragem de aceitar sua própria humanidade.

Anselm Grun

 

UM DOS PRINCIPAIS CAMINHOS para e ter uma autoestima adequada é desenvolver a capacidade de aceitação de si mesmo. Ninguém ama o que não aceita. Quase todos nós alimentamos uma forte sensação de autorrejeição, por não sermos aquela pessoa perfeita que gostaríamos de ser. E isso nos deixa constantemente frustrados e inseguros, sem que o amor possa nos propiciar uma experiência mais feliz de viver.

Nosso grande algoz é o orgulho, que nos faz demasiadamente pretenciosos de uma perfeição para hoje, quando essa perfeição somente poderá ser conquistada ao longo de muitas vidas, de muitas experiências e, também, de muitos tropeços.

Por isso, estou relacionando a aceitação de nós mesmos à humildade. Não basta saber que temos pontos fortes. É preciso também aceitar as nossas fraquezas e limites. Aceitar o nosso real tamanho! O orgulho nos põe no mundo do ideal e a humildade nos traz para o real. O único lugar em que as mudanças podem ocorrer.

Precisamos tirar as vendas do orgulho e nos enxergar com a naturalidade própria de um ser humano. Nem sempre agiremos com perfeição, nem sempre seremos os melhores, os mais fortes, nem sempre saberemos as respostas, nem sempre encontraremos a solução pronta para tudo. Nem sempre estaremos de bom humor, nem sempre teremos paciência. Quando tudo isso acontecer, vamos nos render à nossa condição humana, e, a partir dela, construir as pontes do nosso crescimento. Só cresce quem é humilde. O orgulhoso acha que há atingiu a patamar da perfeição e que, se algo ainda não deu certo, é porque o mundo é culpado.

Nesses momentos, a humildade nos ajuda a enfrentar a nossa ignorância. O orgulho nos faz ter ilusões de grandeza a nosso respeito, e, assim, impede que identifiquemos os nossos erros para, então, superá-los. Por isso, muitas vezes, a nossa vida trava, por mais que se tente movimentá-la para frente, pois o orgulho é como um véu que encobre as nossas imperfeições e limites, e somente quem enxerga a sua própria realidade é capaz de muda-la.

Aceitemos que não somos obra pronta. Admitamos que somos um projeto em construção e que ainda carregamos pedras disformes que, aos poucos, serão naturalmente lapidadas. E não fiquemos tão desapontados conosco, porque nem Deus deixa de nos amar e compreender um minuto sequer nos momentos em que as nossas fraquezas se escancaram! Deus sabe que é a fraqueza que um dia nos fará forte, é a ignorância que nos trará a sabedoria, é a doença que levará à saúde, é o erro que nos conduzirá à experiência do acerto! Tudo está certo na ordem divina!

Hoje, eu só posso ser o que sou. E isso é bom. Isso é permitido. Isso é humano!

José Carlos de Lucca – Pensamentos que ajudam